Consumidor adota nova postura em sua defesa com uso das Redes Sociais

Autor Henrique Guimarães Artigo de Henrique Guimarães
Advogado Especialista em Direito Civil/ Direito do Consumidor e Direito Processual Civil, Professor do Curso de Pós-Graduação em Direito Imobiliário da UNIFACS, Membro da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-BA (2010-2012), colunista jurídico do site de notícias BahiaJá.

Considerada a maior construtora/incorporadora da América Latina, a PDG (Poder de Garantir), possui mais de 30 empreendimentos em lançamentos em Salvador e Região Metropolitana, contando com milhares de clientes na capital baiana.

 

Em razão de atrasos na entrega de vários dos seus empreendimentos, que em alguns casos ultrapassam em mais de 18 meses o prazo prometido em contrato, ultimamente tem sido alvo constante de protestos dos clientes, que tem ido às ruas, shoppings, programas de rádio etc manifestar a sua indignação com os prejuízos que estão sofrendo.

 

Curioso é notar que a empresa encaminhou para clientes de empreendimentos diversos a mesma desculpa pelo atraso, um suposto problema no terreno, repetida de forma quase idêntica em correspondências que chegaram às mãos dos diferentes consumidores:

  Consumidora adota nova postura em sua defesa com uso das Redes Sociais

“Em (data) foi cravada a primeira estaca teste de concreto. No decorrer da execução das estacas, encontramos um terreno com diferenças nos perfis de sondagens iniciais. As profundidades das estacas variavam com distâncias mínimas de um metro entre elas. Verificamos blocos de estacas onde as mesmas variavam até em 20,0 m de diferença de profundidade.

 

Este tipo de ocorrência alterou significativamente o ritmo de cravação. Foram colocados mais equipamentos com o objetivo de minimizarmos os problemas e ganharmos mais velocidade. Cravamos estacas com quase 60,0 m de profundidade, processo este extremamente demorado que culminou em um atraso irreversível de mais de 6 meses na execução da obra.”

 

Será que a PDG adquiriu todos os terrenos problemáticos de Salvador? Seria um caso espetacular de falta de sorte ou estaria agindo de forma duvidosa com os seus clientes?

 

O que se verifica, em verdade, é que a empresa subestimou o fenômeno das redes sociais e da internet, que fazem com que as informações circulem e se espalhem em questão de minutos.Subestimou também a capacidade de mobilização do consumidor moderno, achando que bastaria encaminhar as tais cartinhas que todos ficariam inertes e acomodados.

 

Longe disso! Foram manifestações durante o Carnaval com faixas, cartazes e camisas,com frases de protesto, passeatas nas ruas, nos shoppings, carros plotados, participação em programas de rádio e televisão!Certamente a empresa não esperava por tamanha capacidade de indignação e mobilização.

 

Por tudo isso, o caso da PDG em Salvador, com os seus múltiplos empreendimentos atrasados, é definitivamente um divisor de águas em relação à postura mais consciente dos consumidores na luta pelos seus direitos. Note que eles poderiam apenas buscá-los judicialmente, o que manteria a empresa na sua “zona de conforto”, já que os problemas permaneceriam ocultos para o restante da população.

 

A postura de “fazer a diferença”, se expondo para expor publicamente os problemas é o que realmente tem o poder de transformar a realidade na relação empresa x consumidor. É quando este último acorda e percebe que, se sozinho nada pode, reunidos despertam a força de um verdadeiro gigante adormecido chamado CIDADANIA. Parabéns aos consumidores da PDG!!!

 
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